Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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83 Pois logo em tantos males é forçado, Que só vosso favor me não
faleça, Principalmente aqui, que sou chegado Onde feitos diversos
engrandeça: Dai-mo vós sós, que eu tenho já jurado Que não o
empregue em quem o não mereça, Nem por lisonja louve algum
subido, Sob pena de não ser agradecido.
84 Nem creiais, Ninfas, não, que a fama desse A quem ao bem comum
e do seu Rei Antepuser seu próprio interesse, Inimigo da divina e
humana Lei. Nenhum ambicioso, que quisesse Subir a grandes
cargos, cantarei, Só por poder com torpes exercícios Usar mais
largamente de seus vícios;
85 Nenhum que use de seu poder bastante, Para servir a seu desejo
feio, E que, por comprazer ao vulgo errante, Se muda em mais
figuras que Proteio. Nem, Camenas, também cuideis que canto Quem,
com hábito honesto e grave, veio, Por contentar ao Rei no ofício
novo, A despir e roubar o pobre povo.
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