Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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80 Agora, com pobreza avorrecida, Por hospícios alheios
degradado; Agora, da esperança já adquirida, De novo, mais que
nunca, derribado; Agora às costas escapando a vida, Que dum fio
pendia tão delgado Que não menos milagre foi salvar-se Que para o
Rei Judaico acrescentar-se.
81 E ainda, Ninfas minhas, não bastava Que tamanhas misérias me
cercassem, Senão que aqueles, que eu cantando andava Tal prémio
de meus versos me tornassem: A troco dos descansos que esperava,
Das capelas de louro que me honrassem, Trabalhos nunca usados me
inventaram, Com que em tão duro estado me deitaram.
82 Vede, Ninfas, que engenhos de senhores O vosso Tejo cria
valorosos, Que assim sabem prezar com tais favores A quem os faz,
cantando, gloriosos! Que exemplos a futuros escritores, Para
espertar engenhos curiosos, Para porem as coisas em memória, Que
merecerem ter eterna glória!
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