Kitap · Os Lusiadas
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Yazar: Luis de Camoes
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48 --"E verão mais os olhos que escaparem De tanto mal, de tanta
desventura, Os dois amantes míseros ficarem Na férvida e
implacável espessura. Ali, depois que as pedras abrandarem Com
lágrimas de dor, de mágoa pura, Abraçados as almas soltarão Da
formosa e misérrima prisão."--
49 "Mais ia por diante o monstro horrendo Dizendo nossos fados,
quando alçado Lhe disse eu:--Quem és tu? que esse estupendo Corpo
certo me tem maravilhado.-- A boca e os olhos negros retorcendo,
E dando um espantoso e grande brado, Me respondeu, com voz pesada
e amara, Como quem da pergunta lhe pesara:
50 --"Eu sou aquele oculto e grande Cabo, A quem chamais vós
outros Tormentório, Que nunca a Ptolomeu, Pompónio, Estrabo,
Plínio, e quantos passaram, fui notório. Aqui toda a Africana
costa acabo Neste meu nunca visto Promontório, Que para o Pólo
Antarctico se estende, A quem vossa ousadia tanto ofende.
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