Kitap · Os Lusiadas
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Yazar: Luis de Camoes
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26 Estando sossegado já o tumulto Dos Deuses, e de seus
recebimentos, Começa a descobrir do peito oculto A causa o Tioneu
de seus tormentos: Um pouco carregando-se no vulto, Dando mostra
de grandes sentimentos, Só por dar aos de Luso triste morte Com o
ferro alheio, fala desta sorte:
27 "Príncipe, que de juro senhoreias Dum Pólo ao outro Pólo o mar
irado, Tu, que as gentes da terra toda enfreias, Que não passem o
termo limitado; E tu, padre Oceano, que rodeias O inundo
universal, e o tens cercado, E com justo decreto assim permites
Que dentro vivam só de seus limites;
28 "E vós, Deuses do mar, que não sofreis Injúria alguma em vosso
reino grande, Que com castigo igual vos não vingueis De quem quer
que por ele corra e ande: Que descuido foi este em que viveis?
Quem pode ser que tanto vos abrande Os peitos, com razão
endurecidos Contra os humanos fracos e atrevidos?
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