Livro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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74 Os ventos eram tais, que não puderam Mostrar mais força do
ímpeto cruel, Se para derribar então vieram A fortíssima torre de
Babel. Nos altíssimos mares, que cresceram, A pequena grandura
dum batel Mostra a possante nau, que move espanto, Vendo que se
sustém nas ondas tanto.
75 A nau grande, em que vai Paulo da Gama, Quebrado leva o masto
pelo meio. Quase toda alagada: a gente chama Aquele que a salvar
o mundo veio. Não menos gritos vãos ao ar derrama Toda a nau de
Coelho, com receio, Conquanto teve o mestre tanto tento, Que
primeiro amainou, que desse o vento.
76 Agora sobre as nuvens os subiam As ondas de Netuno furibundo;
Agora a ver parece que desciam As íntimas entranhas do Profundo.
Noto, Austro, Bóreas, Aquilo queriam Arruinar a máquina do mundo:
A noite negra e feia se alumia Com os raios, em que o Pólo todo
ardia.
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