Livro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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96 Vai César, sojugando toda França, E as armas não lhe impedem a
ciência; Mas, numa mão a pena e noutra a lança, Igualava de
Cícero a eloquência. O que de Cipião se sabe e alcança, É nas
comédias grande experiência. Lia Alexandro a Homero de maneira
Que sempre se lhe sabe à cabeceira.
97 Enfim, não houve forte capitão, Que não fosse também douto e
ciente, Da Lácia, Grega, ou Bárbara nação, Senão da Portuguesa
tão somente. Sem vergonha o não digo, que a razão De algum não
ser por versos excelente, É não se ver prezado o verso e rima,
Porque, quem não sabe arte, não na estima.
98 Por isso, e não por falta de natura, Não há também Virgílios
nem Homeros; Nem haverá, se este costume dura, Pios Eneias, nem
Aquiles feros. Mas o pior de tudo é que a ventura Tão ásperos os
fez, e tão austeros, Tão rudos, e de engenho tão remisso, Que a
muitos lhe dá pouco, ou nada disso.
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