Livro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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90 Da boca do facundo Capitão Pendendo estavam todos embebidos,
Quando deu fim à longa narração Dos altos feitos grandes e
subidos. Louva o Rei o sublime coração Dos Reis em tantas guerras
conhecidos; Da gente louva a antiga fortaleza, A lealdade de
ânimo e nobreza.
91 Vai recontando o povo, que se admira, O caso cada qual que
mais notou; Nenhum deles da gente os olhos tira, Que tão longos
caminhos rodeou. Mas já o mancebo Délio as rédeas vira Que o
irmão de Lampécia mal guiou, Por vir a descansar nos Tétios
braços; E el-Rei se vai do mar aos nobres paços.
92 Quão doce é o louvor e a justa glória Dos próprios feitos,
quando são soados! Qualquer nobre trabalha que em memória Vença
ou iguale os grandes já passados. As invejas da ilustre e alheia
história Fazem mil vezes feitos sublimados. Quem valerosas obras
exercita, Louvor alheio muito o esperta e incita.
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