Livro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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97 "Fez primeiro em Coimbra exercitar-se O valeroso ofício de
Minerva; E de Helicona as Musas fez passar-se A pisar do Monde-o
a fértil erva. Quanto pode de Atenas desejar-se, Tudo o soberbo
Apolo aqui reserva. Aqui as capelas dá tecidas de ouro, Do bácaro
e do sempre verde louro.
98 "Nobres vilas de novo edificou Fortalezas, castelos mui
seguros, E quase o Reino todo reformou Com edifícios grandes, e
altos muros. Mas depois que a dura Átropos cortou O fio de seus
dias já maduros, Ficou-lhe o filho pouco obediente, Quarto
Afonso, mas forte e excelente.
99 "Este sempre as soberbas Castelhanas Co'o peito desprezou
firme e sereno, Porque não é das forças Lusitanas, Temer poder
maior, por mais pequeno. Mas porém, quando as gentes Mauritanas,
A possuir o Hespérico terreno Entraram pelas terras de Castela,
Foi o soberbo Afonso a socorrê-la.
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