Livro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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104 --"Não cometera o moço miserando O carro alto do pai, nem o
ar vazio O grande Arquiteto co'o filho, dando Um, nome ao mar, e
o outro, fama ao rio. Nenhum cometimento alto e nefando, Por
fogo, ferro, água, calma e frio, Deixa intentado a humana
geração. Mísera sorte, estranha condição!"--
Canto Quinto
1 "Estas sentenças tais o velho honrado Vociferando estava,
quando abrimos As asas ao sereno e sossegado Vento, e do porto
amado nos partimos. E, como é já no mar costume usado, A vela
desfraldando, o céu ferimos, Dizendo: "Boa viagem", logo o vento
Nos troncos fez o usado movimento.
2 "Entrava neste tempo o eterno lume No animal Nemeio truculento,
E o mundo, que com tempo se consume, Na sexta idade andava
enfermo e lento: Nela vê, como tinha por costume, Cursos do sol
quatorze vezes cento, Com mais noventa e sete, em que corria,
Quando no mar a armada se estendia.
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