Livro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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29 "Quantos rostos ali se vêem sem cor, Que ao coração acode o
sangue amigo! Que, nos perigos grandes, o temor É maior muitas
vezes que o perigo; E se o não é, parece-o; que o furor De
ofender ou vencer o duro amigo Faz não sentir que é perda grande
e rara, Dos membros corporais, da vida cara.
30 "Começa-se a travar a incerta guerra; De ambas partes se move
a primeira ala; Uns leva a defensão da própria terra, Outros as
esperanças de ganhá-la; Logo o grande Pereira, em quem se encerra
Todo o valor, primeiro se assinala: Derriba, e encontra, e a
terra enfim semeia Dos que a tanto desejam, sendo alheia.
31 "Já pelo espesso ar os estridentes Farpões, setas e vários
tiros voam; Debaixo dos pés duros dos ardentes Cavalos treme a
terra, os vales soam; Espedaçam-se as lanças; e as frequentes
Quedas coas duras armas, tudo atroam; Recrescem os amigos sobre a
pouca Gente do fero Nuno, que os apouca.
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