Boek · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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92 Mas a Fama, trombeta de obras tais, Lhe deu no mundo nomes tão
estranhos De Deuses, Semideuses imortais, Indígetes, Heróicos e
de Magnos. Por isso, ó vós que as famas estimais, Se quiserdes no
mundo ser tamanhos, Despertai já do sono do ócio ignavo, Que o
ânimo de livre faz escravo.
93 E ponde na cobiça um freio duro, E na ambição também, que
indignamente Tomais mil vezes, e no torpe e escuro Vício da
tirania infame e urgente; Porque essas honras vãs, esse ouro puro
Verdadeiro valor não dão à gente: Melhor é, merecê-los sem os
ter, Que possuí-los sem os merecer.
94 Ou dai na paz as leis iguais, constantes, Que aos grandes não
dêem o dos pequenos; Ou vos vesti nas armas rutilantes, Contra a
lei dos inimigos Sarracenos: Fareis os Reinos grandes e
possantes, E todos tereis mais, o nenhum menos; Possuireis
riquezas merecidas, Com as honras, que ilustram tanto as vidas.
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