Boek · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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132 "Olha cá pelos mares do Oriente Ás infinitas Ilhas
espalhadas: Vê Tidore e Ternate, co fervente Cume, que lança as
flamas ondeadas. As árvores verás do cravo ardente, Co sangue
Português inda compradas. Aqui há as áureas aves, que não decem
Nunca à terra e só mortas aparecem.
133 "Olha de Banda as Ilhas, que se esmaltam Da vária cor que
pinta o roxo fruto; Às aves variadas, que ali saltam, Da verde
noz tomando seu tributo. Olha também Bornéu, onde não faltam
Lágrimas no licor coalhado e enxuto Das árvores, que cânfora é
chamado, Com que da Ilha o nome é celebrado.
134 "Ali também Timor, que o lenho manda Sândalo, salutífero e
cheiroso; Olha a Sunda, tão larga que üa banda Esconde pera o Sul
dificultoso; A gente do Sertão, que as terras anda, Um rio diz
que tem miraculoso, Que, por onde ele só, sem outro, vai,
Converte em pedra o pau que nele cai.
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