Boek · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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35 E vós, ó poderosos, por pastoras Muitas vezes ferido o peito
vedes; E por baixos e rudos, vós, senhoras, Também vos tomam nas
Vulcâneas redes. Uns esperando andais noturnas horas, Outros
subis telhados e paredes: Mas eu creio que deste amor indino É
mais culpa a da mãe que a do menino.
36 Mas já no verde prado o carro leve Punham os brancos cisnes
mansamente, E Dione, que as rosas entro a neve No rosto traz,
descia diligente. O frecheiro, que contra o céu se atreve, A
recebê-la vem, ledo e contente; Vêm todos os Cupidos servidores
Beijar a mão à Deusa dos amores.
37 Ela, por que não gaste o tempo em vão, Nos braços tendo o
filho, confiada Lhe diz: "Amado filho, em cuja mão Toda minha
potência está fundada; Filho, em quem minhas forças sempre estão;
Tu, que as armas Tifeias tens em nada, A socorrer-me a tua
potestade Me triz especial necessidade.
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