Boek · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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53 "Codro, porque o inimigo não vencesse, Deixou antes vencer da
morte a vida; Régulo, porque a pátria não perdesse, Quis mais a
liberdade ver perdida. Este, porque se Espanha não temesse, Ao
cativeiro eterno se convida: Codro, nem Cúrcio, ouvido por
espanto, Nem os Décios leais fizeram tanto.
54 "Mas Afonso, do Reino único herdeiro, Nome em armas ditoso em
nossa Hespéria, Que a soberba do bárbaro fronteira Tornou em
baixa e humílima miséria, Fora por certo invicto cavaleiro, Se
não quisera ir ver a terra Ibéria. Mas África dirá ser impossíbil
Poder ninguém vencer o Rei terríbil.
55 "Este pôde colher as maçãs de ouro, Que somente o Tiríntio
colher pôde: Do jugo que lhe pôs, o bravo Mouro A cerviz inda
agora não sacode. Na fronte a palma leva e o verde louro Das
vitórias do Bárbaro, que acode A defender Alcácer, forte vila,
Tângere populoso e a dura Arzila.
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