Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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77 Alça-se em pé, com ele o Gama junto, Coelho de outra parti, e
o Mauritano; Os olhos põe no bélico transunto De um velho branco,
aspecto venerando Cujo nome não pode ser defunto Enquanto houver
no mundo trato humano: No trajo a Grega usança está perfeita, Um
ramo por insígnia na direita.
78 Um ramo na mão tinha... Mas, ó cego! Eu, que cometo insano e
temerário, Sem vós, Ninfas do Tejo e do Mondego, Por caminho tão
árduo, longo e vário! Vosso favor invoco, que navego Por alto
mar, com vento tão contrário, Que, se não me ajudais, hei grande
medo Que o meu fraco batel se alague cedo.
79 Olhai que há tanto tempo que, cantando O vosso Tejo e os
vossos Lusitanos, A fortuna mo traz peregrinando, Novos trabalhos
vendo, e novos danos: Agora o mar, agora experimentando Os
perigos Mavórcios inumanos, Qual Canace, que à morte se condena,
Numa mão sempre a espada, e noutra a pena.
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