Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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123 "Olha Tavai cidade, onde começa De Sião largo o império tão
comprido; Tenassari, Quedá, que é só cabeça Das que pimenta ali
têm produzido. Mais avante fareis que se conheça Malaca por
empório ennobrecido, Onde toda a província do mar grande Suas
mercadorias ricas mande.
124 "Dizem que desta terra co as possantes Ondas o mar, entrando,
dividiu A nobre ilha Samatra, que já d'antes Juntas ambas a gente
antiga viu. Quersoneso foi dita; e das prestantes Veias d'ouro
que a terra produziu, 'Aurea', por epitéto lhe ajuntaram; Alguns
que fosse Ofir imaginaram.
125 "Mas, na ponta da terra, Cingapura Verás, onde o caminho às
naus se estreita; Daqui tornando a costa à Cinosura, Se encurva e
pera a Aurora se endireita. Vês Pam, Patane, reinos, e a longura
De Sião, que estes e outros mais sujeita; Olha o rio Menão, que
se derrama Do grande lago que Chiamai se chama.
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