Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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41 "Não é, disse Veloso, coisa justa Tratar branduras em tanta
aspereza; Que o trabalho do mar, que tanto custa, Não sofre
amores, nem delicadeza; Antes de guerra férvida e robusta A nossa
história seja, pois dureza Nossa vida há de ser, segundo entendo,
Que o trabalho por vir me está dizendo."
42 Consentem nisto todos, e encomendam A Veloso que conte isto
que aprova. "Contarei, disse, sem que me repreendam De contar
cousa fabulosa ou nova; E porque os que me ouvirem daqui aprendam
A fazer feitos grandes de alta prova, Dos nascidos direi na nossa
terra, E estes sejam os doze de Inglaterra.
43 "No tempo que do Reino a rédea leve João, filho de Pedro,
moderava, Depois que sossegado e livre o teve Do vizinho poder,
que o molestava, Lá na grande Inglaterra, que da neve Boreal
sempre abunda, semeava A fera Erínis dura e má cizânia, Que
lustre fosse a nossa Lusitânia.
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