Livre · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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38 "Bem vês as Lusitânicas fadigas, Que eu já de muito longe
favoreço, Porque das Parcas sei, minhas amigas, Que me hão de
venerar e ter em preço. E, porque tanto imitam as antigas Obras
de meus Romanos, me ofereço A lhe dar tanta ajuda, em quanto
posso, A quanto se estender o poder nosso.
39 "E porque das insídias do odioso Baco foram na Índia
molestados, E das injúrias sós do mar undoso Puderam mais ser
mortos que cansados, No mesmo mar, que sempre temeroso Lhe foi,
quero que sejam repousados, Tomando aquele prémio e doce glória
Do trabalho, que faz clara a memória.
40 "E para isso queria que, feridas As filhas de Nereu, no ponto
fundo, De amor dos Lusitanos incendidas, Que vêm de descobrir o
novo mundo, Todas numa ilha juntas e subidas, Ilha, que nas
entranhas do profundo Oceano terei aparelhada, De dons de Flora e
Zéfiro adornada;
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