Livre · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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12 "Sempre enfim para o Austro a aguda proa No grandíssimo gólfão
nos metemos, Deixando a serra aspérrima Leoa, Co'o cabo a quem
das Palmas nome demos. O grande rio, onde batendo soa O mar nas
praias notas que ali temos, Ficou, com a Ilha ilustre que tomou O
nome dum que o lado a Deus tocou.
13 "Ali o mui grande reino está de Congo, Por nós já convertido à
fé de Cristo, Por onde o Zaire passa, claro e longo, Rio pelos
antigos nunca visto. Por este largo mar enfim me alongo Do
conhecido pólo de Calisto, Tendo o término ardente já passado,
Onde o meio do mundo é limitado.
14 "Já descoberto tínhamos diante, Lá no novo Hemisfério, nova
estrela, Não vista de outra gente, que ignorante Alguns tempos
esteve incerta dela. Vimos a parte menos rutilante, E, por falta
de estrelas, menos bela, Do Pólo fixo, onde ainda se não sabe Que
outra terra comece, ou mar acabe.
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