Livre · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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29 Vê, enfim, que ninguém ama o que deve, Senão o que somente mal
deseja; Não quer que tanto tempo se releve O castigo, que duro e
justo seja. Seus ministros ajunta, por que leve Exércitos
conformes à peleja, Que espera ter com a mal regida gente, Que
lhe não for agora obediente.
30 Muitos destes meninos voadores Estão em várias obras
trabalhando: Uns amolando ferros passadores, Outros ásteas de
setas delgaçando; Trabalhando, cantando estão de amores, Vários
casos em verso modulando, Melodia sonora e concertada, Suave a
letra, angélica a soada.
31 Nas frágoas imortais, onde forjavam Para as setas as pontas
penetrantes, Por lenha corações ardendo estavam, Vivas entranhas
ainda palpitantes. As águas onde os ferros temperavam, Lágrimas
são de míseros amantes; A viva f lama, o nunca morto lume, Desejo
é só que queima, e não consume.
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