Livre · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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3 "Já a vista pouco e pouco se desterra Daqueles pátrios montes
que ficavam; Ficava o caro Tejo, e a fresca serra De Sintra, e
nela os olhos se alongavam. Ficava-nos também na amada terra O
coração, que as mágoas lá deixavam; E já depois que toda se
escondeu, Não vimos mais enfim que mar e céu.
4 "Assim fomos abrindo aqueles mares, Que geração alguma não
abriu, As novas ilhas vendo e os novos ares, Que o generoso
Henrique descobriu; De Mauritânia os montes e lugares, Terra que
Anteu num tempo possuiu, Deixando à mão esquerda; que à direita
Não há certeza doutra, mas suspeita.
5 "Passamos a grande Ilha da Madeira, Que do muito arvoredo assim
se chama, Das que nós povoamos, a primeira, Mais célebre por nome
que por fama: Mas nem por ser do mundo a derradeira Se lhe
aventajam quantas Vénus ama, Antes, sendo esta sua, se esquecera
De Cipro, Gnido, Pafos e Citera.
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