Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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17 O prazer de chegar à pátria cara, A seus penates caros e
parentes, Para contar a peregrina e rara Navegação, os vários
céus e gentes; Vir a lograr o prémio, que ganhara Por tão longos
trabalhos e acidentes, Cada um tem por gosto tão perfeito, Que o
coração para ele é vaso estreito.
18 Porém a deusa Cípria, que ordenada Era para favor dos
Lusitanos Do Padre eterno, e por bom génio dada, Que sempre os
guia já de longos anos; A glória por trabalhos alcançada,
Satisfação de bem sofridos danos, Lhe andava já ordenando, e
pretendia Dar-lhe nos mares tristes alegria.
19 Depois de ter um pouco revolvido Na mente o largo mar que
navegaram, Os trabalhos, que pelo Deus nascido Nas Anfióneas
Tebas se causaram; Já trazia de longe no sentido, Para prémio de
quanto mal passaram, Buscar-lhe algum deleite, algum descanso No
Reino de cristal líquido e manso;
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