Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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42 --"Pois vens ver os segredos escondidos Da natureza e do úmido
elemento, A nenhum grande humano concedidos De nobre ou de
imortal merecimento, Ouve os danos de mim, que apercebidos Estão
a teu sobejo atrevimento, Por todo o largo mar e pela terra, Que
ainda hás de sojugar com dura guerra.
43 --"Sabe que quantas naus esta viagem Que tu fazes, fizerem de
atrevidas, Inimiga terão esta paragem Com ventos e tormentas
desmedidas. E da primeira armada que passagem Fizer por estas
ondas insofridas, Eu farei d'improviso tal castigo, Que seja mor
o dano que o perigo.
44 --"Aqui espero tomar, se não me engano, De quem me descobriu,
suma vingança. E não se acabará só nisto o dano Da vossa
pertinace confiança; Antes em vossas naus vereis cada ano, Se é
verdade o que meu juízo alcança, Naufrágios, perdições de toda
sorte, Que o menor mal de todos seja a morte.
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