Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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28 "Quando chegado ao fim de sua idade, O forte e famoso Úngaro
estremado, Forçado da fatal necessidade, O espírito deu a quem
lhe tinha dado, Ficava o filho em tenra mocidade, Em quem o pai
deixava seu traslado, Que do mundo os mais fortes igualava; Que
de tal pai tal filho se esperava.
29 "Mas o velho rumor, não sei se errado, Que em tanta
antiguidade não há certeza, Conta que a mãe, tomando todo o
estado, Do segundo himeneu não se despreza. O filho órfão deixava
deserdado, Dizendo que nas terras a grandeza Do senhorio todo só
sua era, Porque, para casar, seu pai lhes dera.
30 "Mas o Príncipe Afonso, que desta arte Se chamava, do avô
tomando o nome, Vendo-se em suas terras não ter parte, Que a mãe,
com seu marido, as manda e come, Fervendo-lhe no peito o duro
Marte, Imagina consigo como as tome. Revolvidas as causas no
conceito, Ao propósito firme segue o efeito.
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