Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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83 Pouco obedece o Catual corrupto A tais palavras; antes
revolvendo Na fantasia algum subtil e astuto Engano diabólico e
estupendo, Ou como banhar possa o ferro bruto No sangue
avorrecido, estava vendo; Ou como as naus em fogo lhe abrasasse,
Por que nenhuma à pátria mais tornasse.
84 Que nenhum torne à pátria só pretende O conselho infernal dos
Maumetanos, Por que não saiba nunca onde se estende A terra Eoa o
Rei dos Lusitanos. Não parte o Gama enfim, que lho defende O
Regedor dos bárbaros profanos; Nem sem licença sua ir-se podia,
Que as almadias todas lhe tolhia.
85 Aos brados o razões do Capitão Responde o Idolatra que
mandasse-- Chegar à terra as naus, que longo estão, Por que
melhor dali fosse e tornasse. "Sinal é de inimigo e de ladrão,
Que lá tão longe a frota se alargasse, Lhe diz, porque do certo e
fido amigo É não temer do seu nenhum perigo."
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