Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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112 "Desta arte o Mouro pérfido despreza O poder dos Cristãos, e
não entende Que está ajudado da Alta Fortaleza, A quem o inferno
horrífico se rende. Co ela o Castelhano, e com destreza De
Marrocos o Rei comete e ofende. O Português, que tudo estima em
nada, Se faz temer ao Reino de Granada.
113 "Eis as lanças e espadas retiniam Por cima dos arneses: bravo
estrago! Chamam (segundo as leis que ali seguiam) Uns Mafamede, e
os outros Santiago. Os feridos com grita o Céu feriam, Fazendo de
seu sangue bruto lago, Onde outros meios mortos se afogavam,
Quando do ferro as vidas escapavam.
114 "Com esforço tamanho estrui e mata O Luso ao Granadil, que,
em pouco espaço, Totalmente o poder lhe desbarata, Sem lhe valer
defesa ou peito de aço. De alcançar tal vitória tão barata Inda
não bem contente o forte braço, Vai ajudar ao bravo Castelhano,
Que pelejando está co'o Mauritano.
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