Book · Os Lusiadas
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Author: Luis de Camoes
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105 "Tu só, de todos quantos queima Apolo, Nos recebes em paz,
cio mar profundo; Em ti dos ventos hórridos de Eolo Refúgio
achamos bom, fido e jocundo. Enquanto apascentar o largo Pólo As
Estrelas, e o Sol der lume ao Mundo, Onde quer que eu viver, com
fama e glória Viverão teus louvores em memória."
106 Isto dizendo, os barcos vão remando Para a frota, que o Mouro
ver deseja; Vão as naus uma e uma rodeando, Porque de todas tudo
note e veja. Mas para o céu Vulcano fuzilando, A frota coas
bombardas o festeja, E as trombetas canoras lhe tangiam; Co'os
anafis os Mouros respondiam.
107 Mas depois de ser tudo já notado Do generoso Mouro, que
pasmava Ouvindo o instrumento inusitado, Que tamanho terror em si
mostrava, Mandava estar quieto e ancorado N'água o batel ligeiro
que os levava, Por falar de vagar co'o forte Gama, Nas cousas de
que tem notícia e faina.
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