Book · Os Lusiadas
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Author: Luis de Camoes
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135 "Vê naquela que o tempo tornou Ilha, Que também flamas
trémulas vapora, A fonte que óleo mana, e a maravilha Do cheiroso
licor que o tronco chora, --Cheiroso, mais que quanto estila a
filha De Ciniras na Arábia, onde ela mora; E vê que, tendo quanto
as outras têm, Branda seda e fino ouro dá também.
136 "Olha, em Ceilão, que o monte se alevanta Tanto que as nuvens
passa ou a vista engana; Os naturais o têm por cousa santa, Pola
pedra onde está a pegada humana. Nas ilhas de Maldiva nace a
pranta No profundo das águas, soberana, Cujo pomo contra o veneno
urgente É tido por antídoto excelente.
137 "Verás defronte estar do Roxo Estreito Socotorá, co amaro
aloé famosa; Outras ilhas, no mar também sujeito A vós, na costa
de África arenosa, Onde sai do cheiro mais perfeito A massa, ao
mundo oculta e preciosa. De São Lourenço vê a Ilha afamada, Que
Madagáscar é dalguns chamada.
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