Book · Os Lusiadas
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Author: Luis de Camoes
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32 "E não consinto, Deuses, que cuideis Que por amor de vós do
céu desci, Nem da mágoa da injúria que sofreis, Mas da que se me
faz também a mi; Que aquelas grandes honras, que sabeis Que no
mundo ganhei, quando venci As terras Indianas do Oriente, Todas
vejo abatidas desta gente.
33 "Que o grã Senhor e Fados que destinam, Como lhe bem parece, o
baixo mundo, Famas mores que nunca determinam De dar a estes
barões no mar profundo. Aqui vereis, ó Deuses, como ensinam O mal
também a Deuses: que, a segundo Se vê, ninguém já tem menos
valia, Que quem com mais razão valer devia.
34 "E por isso do Olimpo já fugi, Buscando algum remédio a meus
pesares, Por ver o preço que no Céu perdi, Se por dita acharei
nos vossos mares." Mais quis dizer, e não passou daqui, Porque as
lágrimas já correndo a pares Lhe saltaram dos olhos, com que logo
Se acendem as Deidades d'água em fogo.
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