Book · Os Lusiadas
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Author: Luis de Camoes
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36 "Contou então que, tanto que passaram Aquele monte, os negros
de quem falo, Avante mais passar o não deixaram, Querendo, se não
torna, ali matá-lo; E tornando-se, logo se emboscaram, Por que,
saindo nós para tomá-lo, Nos pudessem mandar ao reino escuro, Por
nos roubarem mais a seu seguro.
37 "Porém já cinco Sóis eram passados Que dali nos partíramos,
cortando Os mares nunca doutrem navegados, Prósperamente os
ventos assoprando, Quando uma noite estando descuidados, Na
cortadora proa vigiando, Uma nuvem que os ares escurece Sobre
nossas cabeças aparece.
38 "Tão temerosa vinha e carregada, Que pôs nos corações um
grande medo; Bramindo o negro mar, de longe brada Como se desse
em vão nalgum rochedo. --"Ó Potestade, disse, sublimada! Que
ameaço divino, ou que segredo Este clima e este mar nos
apresenta, Que mor cousa parece que tormenta?"--
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