Buch · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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84 "Assim que, deste porto nos partirmos Com maior esperança e
maior tristeza, E pela costa abaixo o mar abrirmos Buscando algum
sinal de mais firmeza. Na dura Moçambique enfim surgimos, De cuja
falsidade e má vileza Já serás sabedor, e dos enganos Dos povos
de Mombaça pouco humanos.
85 "Até que aqui no teu seguro porto, Cuja brandura e doce
tratamento Dará saúde a um vivo, e vida a um morto, Nos trouxe a
piedade do alto assento. Aqui repouso, aqui doce conforto, Nova
quietação do pensamento Nos deste: e vês aqui, se atento ouviste,
Te contei tudo quanto me pediste.
86 "Julgas agora, Rei, se houve no mundo Gentes que tais caminhos
cometessem? Crês tu que tanto Eneias e o facundo Ulisses pelo
inundo se estendessem? Ousou algum a ver do mar profundo, Por
mais versos que dele se escrevessem, Do que eu vi, a poder de
esforço e de arte, E do que ainda hei de ver, a oitava parte?
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