Buch · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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72 "Crês tu que já não foram levantados Contra seu Capitão, se os
resistira, Fazendo-se piratas, obrigados De desesperação, de
fome, de ira? Grandemente, por certo, estão provados, Pois que
nenhum trabalho grande os tira Daquela Portuguesa alta excelência
De lealdade firme, e obediência.
73 "Deixando o porto enfim do doce rio E tornando a cortar a água
salgada, Fizemos desta costa algum desvio, Deitando para o pego
toda a armada; Porque, ventando Noto manso e frio, Não nos
apanhasse a água da enseada, Que a costa faz ali daquela banda
Donde a rica Sofala o ouro manda.
74 "Esta passada, logo o leve leme Encomendado ao sacro Nicolau,
Para onde o mar na costa brada e geme, A proa inclina duma e
doutra nau; Quando indo o coração que espera e teme E que tanto
fiou dum fraco pau Do que esperava já desesperado, Foi duma
novidade alvoroçado
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