Buch · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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153 De Formião, filósofo elegante, Vereis como Anibal escarnecia,
Quando das artes bélicas, diante Dele, com larga voz tratava e
lia. A disciplina militar prestante Não se aprende, Senhor, na
fantasia, Sonhando, imaginando ou estudando, Senão vendo,
tratando e pelejando.
154 Mas eu que falo, humilde, baxo e rudo, De vós não conhecido
nem sonhado? Da boca dos pequenos sei, contudo, Que o louvor sai
às vezes acabado. Tem me falta na vida honesto estudo, Com longa
experiência misturado, Nem engenho, que aqui vereis presente,
Cousas que juntas se acham raramente.
155 Pera servir-vos, braço às armas feito, Pera cantar-vos, mente
às Musas dada; Só me falece ser a vós aceito, De quem virtude
deve ser prezada. Se me isto o Céu concede, e o vosso peito Dina
empresa tomar de ser cantada, Como a pres[s]aga mente vaticina
Olhando a vossa inclinação divina,
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