Buch · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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80 Vendo Vasco da Gama que tão perto Do fim de seu desejo se
perdia; Vendo ora o mar até o inferno aberto, Ora com nova fúria
ao céu subia, Confuso de temor, da vida incerto, Onde nenhum
remédio lhe valia, Chama aquele remédio santo é forte, Que o
impossível pode, desta sorte:
81 "Divina Guarda, angélica, celeste, Que os céus, o mar e terra
senhoreias; Tu, que a todo Israel refúgio deste Por metade das
águas Eritreias; Tu, que livraste Paulo e o defendeste Das Sirtes
arenosas e ondas feias, E guardaste com os filhos o segundo
Povoador do alagado e vácuo mundo;
82 "Se tenho novos modos perigosos Doutra Cila e Caríbdis já
passados, Outras Sirtes e baixos arenosos, Outros Acroceráunios
infamados, No fim de tantos casos trabalhosos, Por que somos de
ti desamparados, Se este nosso trabalho não te ofende, Mas antes
teu serviço só pretende?
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